Embrenhar-se pelo labirinto do Delta do Rio Parnaíba, o único
em mar aberto das Américas e o terceiro maior do mundo, é
a escolha perfeita para quem aprecia o contato com a natureza e o sossego
profundo. Ao longo do caminho, descobre-se uma parte do Brasil ainda pouco
conhecida dos turistas, feita de areias brancas, catadores de caranguejos
e fauna e flora intocadas.
Em lugar da carnaúba, o ecoturismo
Localizado
na divisa do Maranhão com o Piauí, o delta se espalha como dedos
de uma mão aberta por cinco barras: Iguaraçu, Canárias, Caju,
Melancieiras e Tutóia, ocupando 2.700 quilômetros quadrados. Desta
área, 70% fica no território maranhense, composto pelos municípios
de Tutóia, Paulino Neves e Araióses.
Se, no passado, a exploração da carnaúba foi o maior negócio
da região, hoje o turismo ecológico tem se firmado como uma das
grandes atrações. O primeiro a desbravar o local foi o navegador
português Nicolau Resende, que, em 1571, teria naufragado ali com uma nau
carregada de ouro.
Depois de procurar, durante 16 anos, a sua valiosa carga, que jamais foi encontrada,
o navegador descobriu o delta, batizado assim porque a foz do rio tem
a forma da letra grega, que é representada por um triângulo.
Outros deltas em mar aberto, ou oceânicos, são encontrados
na foz dos Rios Nilo, na África e em Mekong, na Ásia.
O Delta do Parnaíba tem 90 quilômetros de extensão
e 30 quilômetros de largura, onde estão os igarapés,
os mangues, as dunas e as praias de rio. Há ainda 80 ilhas e
ilhotas, entre elas a Ilha Grande, do Paulino, do Caju, as Canárias
e a Ilha Grande de Santa Isabel, que ocupam cerca de 80 mil hectares.
Para qualquer lugar que se olhe, é impossível não admirar
a riqueza da fauna e da flora locais. Vale a pena acompanhar o balé aquático
dos esquisitíssimos peixes quatro-olhos. Dois enormes olhos saltados para
fora são suas principais característica. O mais interessante é
saber que a metade superior está adaptada para que o peixe veja fora da
água e a metade inferior, para que veja o que acontece dentro do rio.
Catadores de caranguejos 
Os
moradores do povoado de Carnaubeiras, no interior de Araióses, fazem da
harmonia com a natureza uma tradição, vivendo da cata do caranguejo
e da pesca. Eles formam a maior comunidade de catadores do País.
Praticamente toda a produção é mandada para Fortaleza.
Lá, o produto é vendido por um preço até dez vezes
maior do que o valor recebido pelos pescadores. O visitante pode se hospedar em
Araióses ou em Tutóia, se não se importar em ficar em hotéis
e pousadas bastante simples.
Para se conhecer melhor o Delta das Américas, como também é
chamado, o lugar mais indicado para a hospedagem - e para mais que isso - é
a Ilha do Caju, que possui infra-estrutura turística. De Araióses
até a ilha são duas horas de barco ou lancha, mas de Carnaubeiras
até a ilha a travessia dura alguns minutos.
Rio acima 
A
viagem também pode começar no porto da cidade piauense de Parnaíba.
De lá, são três horas rio acima e tudo depende dos caprichos
da maré. Se o rio não estiver suficientemente cheio, o barco corre
o risco de encalhar nos bancos de areia. Na ilha, uma antiga casa de fazenda foi
transformada numa pousada para receber estudantes, pesquisadores e turistas com
espírito aventureiro. Também foram construídos chalés
para hospedar os visitantes.
O lugar permanece praticamente intocado desde 1847, quando se tornou propriedade
da família Clark. Recentemente incluída na lista de estabelecimentos
que integram a
Associação Roteiros de Charme, a Pousada Ecológica Ilha do
Caju é um convite ao descanso.
Apesar
da simplicidade, é possível perceber pequenos luxos, como
camas king size nos chalés e um cardápio diversificado,
comandado pelo chef Flávio Souza, que prepara patinhas de caranguejo,
ostras, moquecas de robalo e suflês de mariscos. Mas se você
estiver em busca do conforto tradicional - ar-condicionado, frigobar,
telefone e televisão -, não precisa nem fazer as malas.
Para se ter uma idéia, a energia elétrica é fornecida
por um gerador e banho quente está fora de questão. Embora pareça
o contrário, nada disso faz tanta falta quando se está lá.
À
noite, a TV pode ser substituída por uma roda de violão junto dos
funcionários da ilha e a brisa do mar substitui perfeitamente o ar-condicionado.
Na hora de dormir, sapos, insetos e pássaros rompem o silêncio
e formam uma verdadeira orquestra. Parece até que um só faz barulho
quando o outro se cala!
Reserva protegida 
Decretada
Área de Proteção Ambiental em 1991, a ilha tem uma paisagem
exuberante, formada por 25 quilômetros de praias virgens, igarapés
salgados, dunas de areia branquíssima e lagoas de água cristalina.
Nessa surpreendente combinação de ecossistemas, há ainda
florestas de manguezais e pântanos. Diante dessas paisagens - que podem
ser percorridas de barco, a cavalo, de jipe ou de trator - o importante é
se deixar levar.
Não é preciso muita sorte para se deparar com veados, macacos,
raposas, jacarés
e tartarugas-marinhas, que têm na ilha um abrigo seguro. As aves são
uma atração à parte, principalmente os guarás - espécie
de pássaros com penas coloridas por um vermelho incandescente. A revoada
desses animais, que costumam procurar uma área chamada Ninhal para se reproduzir,
enche de cor o céu da ilha, resultando num espetáculo emocionante.
Todos
os passeios na ilha são acompanhados de perto pelos guias locais,
ótimos "mateiros". Estão sempre preparados para
desatolar o jipe da lama dos pântanos ou para falar sobre plantas
e bichos encontrados nas trilhas. Francisco de Araújo Silva,
o Bal, aprendeu desde cedo a identificar os rastros dos animais e sabe
quando está diante das marcas deixada por uma raposa, um tatu
ou um veado.
Na Ponta das Melancieiras - uma espécie de Parque Nacional dos Lençóis
Maranhenses em miniatura -, dunas de areias brancas como talco se movem ao sabor
do vento, dançando entre o mar e as lagoas de água doce e cristalina.
Basta mergulhar numa delas para esquecer da vida. Nem fria nem quente, a temperatura
da água convida a passar quase que o dia inteiro contemplando a natureza
e pensando como Deus foi generoso com o Maranhão. E você pode olhar
para todos os lados e se esforçar mas, nem assim, vai avistar ninguém.
Miniguia 
- O Maranhão está investindo na restauração das principais
rodovias e na ampliação dos aeroportos dos pólos de atração
turística, como Barreirinhas, cidade que dá acesso aos Lençóis
Maranhenses. A recuperação da MA-034, entre Chapadinha e Araióses,
melhorou o acesso ao Delta do Parnaíba, que antes só era possível
pelo Piauí. Na cidade piauense de Parnaíba, há um pequeno
aeroporto, que recebe companhias aéreas partindo de São Luís.
A viagem de barco de Parnaíba até a Ilha do Caju costuma ser feita
em três horas.
- Na bagagem, convém levar roupas leves e não esquecer de itens
importantes, como calça jeans, tênis, botas e protetor solar, além
de um repelente poderoso. No início da manhã e no final da tarde,
os mosquitos atacam impiedosamente.
- A temperatura no delta é praticamente constante, em torno de 27 graus.
Outras informações e reservas na Central de Atendimento
ao Cliente do decolar.com, tel. 0800-11-4515.