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Por
Alexandra Gonsalez
Mar transparente, peixes coloridos, golfinhos, histórias de piratas e dezenas de naufrágios fazem de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, um dos paraísos do mergulho brasileiro.

Com ou sem cilindro de oxigênio
Entre Netuno e as estrelas-do-mar
Da pirataria ao mergulho em naufrágio
Titanic à brasileira
Miniguia

Com ou sem cilindro de oxigênio

Mesmo quem nunca se aventurou debaixo d'água não resiste aos mares de Ilhabela, a maior ilha costeira do Brasil. E nem é preciso muita habilidade para se sentir um Jacques Cousteau de primeira viagem, observando de perto peixes, anêmonas e crustáceos.

Localizada há 7 quilômetros da cidade de São Sebastião, a uma distância percorrida em 15 minutos de balsa, Ilhabela se abre à leste para o Oceano Atlântico, com mar agitado, e a oeste para o sossegado canal de São Sebastião, onde, com um pouco de sorte, é possível deparar com bandos de golfinhos e alguns tubarões solitários.

No total são 150 quilômetros de orla e mais de 40 praias, algumas somente acessíveis por barco, o que aumenta o prazer de se mergulhar em locais quase selvagens.

Entre Netuno e as estrelas-do-mar

Para brincar perto da praia, em um mergulho livre, são necessários apenas snorkel, nadadeiras e máscara. Mas para mergulhar com cilindro de oxigênio, e os demais equipamentos de um mergulhador autônomo, é preciso fazer antes um curso.

Os melhores points para o mergulho livre ficam na Ilha das Cabras e nas Praias da Fome, da Feiticeira, da Ponta do Ribeirão e da Caveira. A Ilha das Cabras é um santuário ecológico, protegido por lei desde 1992, a menos de 2 Km da balsa. Um de seus atrativos é uma estátua de Netuno, afundada a 7 metros de profundidade, que se tornou ponto de encontro submarino entre os mergulhadores e lar de muitas espécies de peixes, esponjas e estrelas-do-mar.

Como alternativa à Ilha das Cabras, que costuma ser invadida pela turma do snorkel nos finais de semana, há a Praia da Fome, ao Norte. Outro ótimo ponto para iniciantes, onde um simples mergulho pode se transformar em um episódio inesquecível, quando se observam do fundo as canoas coloridas dos pescadores na superfície.

Quem já tem as credenciais de mergulhador autônomo vai encontrar lugares especiais na Praia do Jabaquara, na Ponta do Boi e no Saco do Sombrio. Em noites de lua cheia, a Praia do Jabaquara é o destino perfeito para a prática do mergulho noturno. As lanternas surpreendem lagostas, coloridos nudibrânquios, uma espécie de lesma-do-mar, e polvos encolhidos em frestas nas rochas. Entre as pedras, moréias se escondem e, se o mergulhador prestar bastante atenção, poderá distinguir algumas arraias pequenas camufladas no fundo de areia.

Da pirataria ao mergulho em naufrágio

Até o século 16, os únicos a explorar as águas de Ilhabela eram os índios Tupinambás, que chamavam o local de Ciribaí, ou "lugar tranqüilo". A tranqüilidade acabou em 1553, quando os corsários ingleses Francis Drake e Thomas Cavendish adotaram as enseadas de Ilhabela como esconderijos para os navios piratas, que atacavam os galeões espanhóis e seus porões recheados de ouro embarcado nos portos de Santos, São Vicente e Bertioga.

A rota da pirataria durou até meados de 1592, quando Cavendish saqueou e incendiou a cidade de Santos, buscando depois refúgio na ilha, onde, segundo alguns historiadores, acabou enforcado por seus próprios marujos, que se amotinaram e nunca mais deixaram a terra dos Tupinambás. A presença dos ingleses na ilha explica a cor azul dos olhos de alguns caiçaras, descendentes dos piratas.

Da mesma forma que as enseadas protegiam os navios, a névoa em torno delas também era mortal. Desde o tempo dos piratas, Ilhabela contabiliza mais de 100 embarcações afundadas em sua orla, a maioria a pique devido à traiçoeira neblina da região. Passadas as tragédias, os navios afundados dão origem a uma das modalidades mais excitantes do esporte: o mergulho em naufrágio.

Titanic à brasileira

Para quem está começando a mergulhar, há três naufrágios de fácil acesso: o Velasquez , um navio inglês naufragado em 1908 na Ponta da Sela; o Aymoré, a pique em 1914, próximo da Praia do Curral, a uma profundidade de 3 a 7 metros; e o Vapor Dart , que em 1894 encalhou nas pedras de Itaboca. Pertencente à Mala Real Inglesa, o Dart está a uma profundidade de 5 a 20 metros. Em todos os naufrágios, a biodiversidade marinha é enorme porque o navio afundado transforma-se em um recife artificial, lar de tartarugas, polvos e peixes típicos de recifes.

As águas da ilha também ocultam tragédias, como o transatlântico de luxo Príncipe de Astúrias, que se transformou numa espécie de Titanic da América do Sul, por ser o acidente naval com maior número de vítimas fatais. O desastre com o navio espanhol aconteceu em 1916, quando um intenso nevoeiro pegou o comandante de surpresa nas rochas da Ponta da Pirabura. Em poucos minutos, o navio inteiro afundou, num saldo de 445 mortos.

Durante dias, dezenas de corpos foram jogados nas praias de Ilhabela e, segundo as lendas, os caiçaras cortavam os dedos inchados dos mortos para arrancar seus anéis. Hoje o Príncipe de Astúrias descansa a 45 metros de profundidade, em um dos piores locais para mergulho, com água turva e muita correnteza, onde somente mergulhadores muito experientes se arriscam.

Seja qual for o tipo de mergulho escolhido, a beleza submarina de Ilhabela é tanta que pouca gente resiste e mergulha de cabeça em cada centímetro cúbico deste paraíso submerso.

Miniguia

- Ilhabela oferece uma ótima infra-estrutura para a prática do mergulho, com cursos, aluguel de equipamentos, barcos e saídas. O curso básico custa, em média, R$ 380; o avançado R$ 430, e as saídas avulsas, com equipamento incluído, R$ 100.

- Antes de cair na água, saiba quais são as modalidades de mergulho e os equipamentos que você vai precisar para praticar cada uma delas, lembrando que um curso é imprescindível para quem quer conhecer o fundo do mar com total segurança:

- Mergulho livre - é feito sem nenhum equipamento de respiração artificial. Os equipamentos necessários são máscara, snorkel e nadadeiras.

- Mergulho autônomo básico - é preciso fazer um curso que, em geral, é ministrado em uma semana, com aulas teóricas e "batismo" no mar. O mergulhador fica apto a descer até uma profundidade de 35 metros, utilizando equipamentos como cilindro de oxigênio, regulador, colete equilibrador e roupa de neoprene. O aluguel de cada equipamento custa cerca de R$ 10.

- Mergulho autônomo avançado - com mais um curso o mergulhador fica habilitado a praticar mergulho profundo, abaixo de 35 metros, noturno e em naufrágio. Os equipamentos são os mesmos utilizados no autônomo, acrescidos de lanterna e bússola.

- O único acesso a Ilhabela é feito através de um ferry boat, que sai da cidade de São Sebastião a cada 15 minutos. Aos finais de semana, as filas para fazer a travessia costumam demorar horas. Procure fazer reserva antecipada do horário e dia da travessia.


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