Cinco
mais 
"Não
há nada comparável no planeta", garante o instrutor norte-americano
Robert Curris, de 40 anos, 10 deles dedicados ao esporte.
Curris já
lecionou as manhas do rafting para mais de 2 mil aprendizes a aventureiros, em
rios norte-americanos, peruanos, chineses e nepaleses. Hoje é considerado
uma das lendas vivas do esporte no mundo.
As
águas translúcidas do Futaleufú produzem seqüências
de mais de um quilômetro de corredeiras de níveis 4 a 5+ - em uma
escala em que o 6 significa alto risco de acidentes graves para quem tentar transpassar.
No cenário,
muita adrenalina, combinada com a bela paisagem da Patagônia Chilena, emoldurada
pelas montanhas sempre nevadas da Cordilheira dos Andes.
Para quem tenta
vencer os desafios impostos pelo rio, um segundo de distração com
a paisagem pode ser a diferença entre o sucesso na transposição
das corredeiras e as quedas, que em alguns pontos podem ser bem perigosas. Os
rápidos, como são conhecidas as corredeiras, têm nomes bastante
sugestivos, como Purgatório, Dança dos Anjos, Exterminador e Inferno.
"Neles, não há tempo para corrigir falhas", afirma outro
instrutor, Steve Jones, de 41 anos.
Bobeou,
dançou
Com
tantos perigos, os instrutores não permitem que todos os alunos encarem
as corredeiras mais difíceis. Depois de algumas baterias de testes, feitas
nos primeiros dias, os instrutores percebem quem está apto. Os que não
se encaixam nas características desejadas são convidados a fazer
algum programa alternativo, entre os muitos que a região oferece. Cavalgar
pelas montanhas, aprender a andar de caiaque, praticar tirolesa e conhecer a pequena
vila de Futaleufú são os campeões de audiência.
Para quem fica no bote, arranhões, unhas quebradas, algumas marcas de pancada
e bolhas nas mãos são inevitáveis. Servem como prova de que
o desafio foi vencido, apesar de a luta não ter sido fácil.
Não há
hotéis ou pousadas em Futaleufú. Os aventureiros ficam hospedados
nos acampamentos das operadoras que oferecem pacotes para lá. Os maiores
são os da norte-americana Earth
River Expeditions, a principal empresa turística especializada
em rafting do mundo.
A
operadora tem dois acampamentos ao longo do rio. O maior, instalado no alto de
um monte na margem do rio, chama-se Campo Mapu Leufú, uma base de aproximadamente
50 mil metros quadrados. O lugar é bastante procurado por turistas por
causa da visão panorâmica de toda a região e pela beleza do
nascer e do pôr-do-sol que a área oferece.
No camping, há
infra-estrutura para a prática de vários esportes de aventura no
intervalo entre um rafting e outro. Tirolesa, rappel, caiaque, cavalgadas, escaladas
e, simplesmente, caminhadas pela mata são algumas delas.
Mas
o grande charme da operadora está no outro camping, a Casa de Pedra. Ele
foi instalado em uma grande gruta esculpida pelo vento em uma montanha de granito.
Nem é preciso falar que faz bastante frio no lugar, mas o charme de dormir
no meio da Cordilheira dos Andes compensa.
Jornada
começa às 6 horas
Descanso
não pode estar nos planos de quem embarca para uma expedição
de rafting no Rio Futaleufú. Além da fadiga muscular que as corredeiras
do rio causam, cinco horas é o máximo que se vai conseguir dormir
por aqui. Às 6 horas, os instrutores passam, de barraca em barraca, para
anunciar o começo de mais um dia de aventuras - e o sol já desponta
no horizonte.
Daí até
o fim do dia, a jornada parece não acabar mais. Explica-se: como a região
fica no extremo sul do continente, o sol demora bastante para se pôr. Não
é raro, durante o verão, acompanhar o pôr-do-sol depois das
23 horas.
Como depois
ainda vem o jantar - sempre regado a um vinhozinho ou a uma cervejinha e a animados
bate-papos -, dormir fica para depois da 1 hora. Mesmo assim, acordar não
costuma ser problema.
A beleza da região,
combinada com a água gelada do rio, proveniente do cume da cordilheira
e sempre por volta dos 5 graus, faz qualquer um despertar rapidamente. Isso sem
falar da ansiedade e do nervosismo que cercam a prática do rafting, especialmente
quando se sabe que o que virá durante o dia não será fácil.
